Lilypie

sábado, 8 de dezembro de 2007

O meu Parto

AVISO: Esta mensagem é extremamente (repito: extremamente) longa...

Esta noite o Daniel portou-se lindamente. Comeu por volta das 23h30, 3h45, 6h e agora às 9h45 e o restante tempo sempre a dormir. O P. tem sido incansável. Enquanto eu dou de mamar (algo que dura entre 25min a 45min) ele descansa um pouco, mas a seguir é ele que coloca o filhote a "arrotar", ajuda a mudar a fralda e o deita na caminha, tudo isto enquanto a mamã também descansa. Neste momento tenho os meus dois homens a dormir, algo que acredito que se vai prolongar até perto das 13h30m.

O P. já descreveu grande parte do dia de domingo, o dia mágico em que coloquei no mundo o meu filho. Mesmo assim, faltam aqueles pormenores que caracterizam todo um trabalho de parto e que sinto necessidade de descrever com "medo" que caíam no esquecimento. É uma mensagem muito longa mas é acima de tudo uma mensagem que escrevi para mim, para poder recordar com a mesma emoção cada minuto que senti de estar a um pequeno passo de conhecer o ser que "carreguei" durante exactamente 39 semaninhas. Sinto já uma certa nostalgia por não ter a minha barriga, de não o sentir mexer dentro de mim... mas acabaram os momentos de azia constante e as muitas visitas à casa-de-banho. O dormir também melhorou por incrível que possa parecer: durmo mais tempo seguido agora e mais repousante que nas últimas semanas de gravidez!

Então aqui fica um pouco (sim, apenas um pouco: imaginem se descrevesse mais pormenores onde é que esta mensagem acabaria!) do meu dia 2/12/07:

Por volta das 9h45m e ainda deitada a dormir sinto um "estalar" ao nível da bacia que não me doeu mas que me deu a sensação de que algo se tinha desencaixado do lugar ... Levantei-me e fui à casa-de-banho para ver se tinha algum sinal de parto (já tinha começado a perder o rolhão no fim-de-semana anterior e foi assim até ao dia do parto, um bocadinho todos os dias) mas nada. Voltei para a cama e comecei a sentir um pequeno incómodo parecido com as dores de período, algo que associei a contracções. No espaço de uma hora tive 4 mas a doer menos do que algumas das contracções que tinha tido uns dias antes.

Às 11h, quando me levantei comecei a perder um pouco de líquido que não conseguia perceber se seria urina ou líquido amniótico (mas que não conseguia controlar a fuga). Disse ao P. o que se estava a passar e começamos a pensar que o filhote poderia querer nascer em breve. Coloquei um dos pensinhos "Safe Baby" que nos permitem perceber que tipo de líquido se trata: ao fim de uns 20min eis que o resultado se faz anunciar: líquido amniótico, mas não o suficiente para ser uma ruptura total da bolsa de águas. Os meus pais tinham combinado almoçar fora connosco nesse dia, mas face a este pequeno desenrolar achei melhor que o almoço fosse cá em casa e a minha mãe preparou a refeição enquanto eu decidi tomar banhinho e preparar-me para o caso de ter que ir à maternidade nesse dia.

Contactamos a "mana" Pi para se juntar a nós e para ir tomando nota das ocorrências. Almoçamos por volta das 14h, sem contracções e cheguei a pensar que tinha sido um falso alarme, embora com um ruptura alta da bolsa saberia que teria que ir para a MJD ainda naquele dia (induzido ou não)!! A Pi recomenda que fique deitadinha depois de almoço para garantir que não perco mais líquido. Por volta das 15h quando me examina confirma a sua suspeita de que se trata de uma rotura alta da bolsa de águas mas que o bebé está a fazer de tampão, que para já não preciso de ir a correr para a maternidade e que é melhor aguardar em casa (já tinha quase 3cm de dilatação...pouco mais tinha evoluído desde a consulta de quinta-feira). Ficamos as duas deitadas na minha cama à conversa e a ver (tomar nota num papel) se as dores começavam a ser regulares. Até às 17h30m tive algumas contracções, muito irregulares e sem queixas relevantes da minha parte (embora sempre que sentia uma, toca de fazer a 1ª respiração que aprendi nas aulas de PPP porque tinha receio que o bebé estivesse a sentir algum mal-estar): tanto estavam espaçadas de 20 min, como de 45min como de 12 min!

A partir das 17h30m, hora em que lanchei, comece a sentir algumas dores mais eficazes (mas nada de especial novamente) que já me obrigavam a concentrar bem mais e a contar as 10 respirações que fazia, começaram a ter alguma regularidade: de 12min, depois de 8min e por volta das 19h30m passaram a ser de 6min em 6 min: ordens da "mama" - rumo imediato à maternidade ... tinha chegado o momento de ir (começam então os telefonemas da Pi para as colegas de trabalho a pedir que me examinem mal chegue... esta "mana" foi um verdadeiro "anjo da guarda" que tive sempre a meu lado). Antes de sair ainda fiz um telefonema à L. a desmarcar a nossa ida às compras na manhã seguinte (e no meio do telefonema mais uma contracção!). O P. e eu despedimo-nos da família que tinha estado cá em casa durante a tarde e lá fomos nós. A minha mãe e a minha tia L. (uma segunda mãe) ficaram com aquela carinha de eterna angústia por não poderem ir junto, ansiosas por mim e mais nervosas que eu (sei que naquele momento qualquer uma delas se pudesse teria as dores por mim)... e foi este o estado das duas, do meu pai, cunhados, irmãos, segundos pais (os meus sogros) e amigos durante todos os instantes que estivemos na MJD a aguardar que tudo se desenrolasse sem dor e pelo melhor (é muito bom ter uma família assim que nos apoia em todos os momentos e de forma tão incondicional). De casa à maternidade demoramos 20min e neste espaço tive 5 contracções certinhas de 5min em 5min.

Quando cheguei, às 20h28m, a MJD estava sem ninguém na sala de espera e fui quase logo atendida. Nessa altura estava com contracções efectivas, mais dolorosas. Fui fazer um ctg mas comecei a ter contracções de 4min em 4 min, pelo que a enfermeira (por me ver a fazer respirações tão seguidas) me encaminha para a sala de examinação para ser observada pela médica de serviço: 4 dedos de dilatação e mais uma pequena perda de líquido. Preenche os papéis de internamento e dá ordens para me vestirem a bata ali mesmo e ir de imediato para a sala de partos (entretanto eram 21h). Aguardo pelo P. e pela enfermeira que me encaminha para o bloco de partos e no trajecto de uns escassos metros de corredor paro 3 vezes porque as contracções são de 3min em 3min e a enfermeira manda logo chamar a anestesista. Deito-me na marquesa e quando me faz o novo toque (somente uns 15min depois da médica) tenho 6cm de dilatação, rebenta a bolsa de água (isto sim foi doloroso, a única coisa que me doeu realmente) e questiona a anestesista se ainda iria a tempo da epidural (fiquei branca com a pergunta! O quê? Sem epidural? Oh não!!! É que embora fossem ainda suportáveis as dores, eram tão seguidas que estava quase a ter que passar para a 2º tipo de respiração que aprendi, e que seria só para usar no caso de mais nada resultar!). A anestesista disse que ía fazer a epidural e que a avisasse quando viessem as contracções para ela poder actuar no momento certo: não senti nada de epidural nem tão pouco da picadinha na mão (a anestesista foi 5 estrelas, quer pela simpatia, pela meiguice e pela eficiência com que me deixou "nas nuvens"). A epidural fez efeito em 5 min, fiquei sem dores e sem outros efeitos secundários que sabia poderem ocorrer. Mandam então entrar o P. que fica comigo no bloco de partos a partir das 21h45m.

Às 22h15 novo toque, mas desta vez por quase toda a equipa médica de serviço (a Pi deve ter ligado para tanta gente, de tão preocupada que estava comigo, que o pessoal veio todo ver o estado de arte!) e concluem que estou com 7cm, tudo a evoluir muito favoravelmente (fui recebendo os comentários de que a minha bacia era excelente e que teríamos bebé muito em breve: nessa altura contava ter o meu filhote na manhã seguinte já que me mentalizei para as famosas 12h a 14h de trabalho de parto!). Ainda nesse toque uma das médicas diz que já dá para ver o Daniel e que era um carequinha (o P. pede para ver e confirma o relato da médica: eu fico roída por não poder ver também!). Às 22h30 comento com o Paulo que estou com uma ligeira sensação de "puxar", mas que devo é estar a ficar ansiosa e que deve ser imaginação minha porque ainda é muito cedo para sentir isso (conclusão: não aviso ninguém do pessoal de enfermagem nem médico deste facto! mas deveria tê-lo feito). Às 22h50 entra a médica para me examinar novamente e noto uma alteração no seu comportamento: começa a dizer que a cabecinha já está totalmente à vista, para não fazer força alguma e que mal dava para montar tudo: chegaram 3 enfermeiras e mais uma médica num ápice! (tanto eu como o Paulo só dizíamos: "Já, mas Já!", "Ainda vai nascer hoje, dia 2/12?", "Mas afinal não é no dia 3/12?"...estávamos aparvalhados e parecia que não nos tínhamos preparado para ver o filhote tão cedo!).

Às 23h, com tudo montado, a médica manda-me puxar quando ela disser e durante o tempo que ela indicar: assim faço por apenas 3 vezes e o meu Daniel sai de dentro de mim às 23h10m (apenas o senti sair, nunca tive uma dor que seja e sinto uma alegria imensa ao ver o meu filhote): estou muito emocionada mas não me lembro de chorar! Naquele momento só queria saber se ele estava bem por causa do tamanho que aparentava nas ecografias! Dizem que sim e as notícias são muito boas: Apgar 8/10, 2710g e 47cm (pequenino mas saudável como tanto pedi durante toda a minha gravidez ... como agora peço que seja toda a vida). Agora sim, sinto-me chorar por dentro de tanta felicidade mas não sei se as lágrimas chegaram de facto a cair ou não! O P. não largou mais o filhote da sua vista e foi a primeira pessoa a quem o Daniel agarrou o dedo com tanta força como quem quer agarrar este mundo e o outro! Entretanto sai a placenta e levo alguns pontos interiores e exteriores (estes sei que foram 8 ao todo) e o Daniel mama pela primeira vez já às 00h10m do dia 3/12/07. Foi mágico e ainda é! Entretanto a Pi não larga o telefone e só aguardava um aviso para vir para a MJD para me fazer o parto (só não tinha ido antes porque não estava ao serviço e aguardava a hora H. para ir para lá) e fica "furiosa" por não ter chegado a tempo (é que o sr. Dani estava previsto para mais tarde e pelos últimos toques não valia a pena ela ir para a maternidade muito cedo!). Contudo assiste a outros momentos mágicos: à primeira banhoca, mamada, sorrisos e a toda a nossa felicidade ainda nas duas horas após o parto. Foi um parto maravilhoso, quase sem dor e muito rápido (a famosa horinha pequena que todas desejamos): sempre pensei em ter mais filhos mas depois desta experiência quero ter mais uns 4 filhos (na certeza porém que de uma próxima vez vou mais cedo para a maternidade senão ainda nascem em casa)!

O pessoal de enfermagem e médico que me assistiram foram sempre muito atenciosos e o internamento posso dizer que foi bom, embora não se conseguisse repousar quase nada com tanto barulho que havia a toda a hora.

1 comentário:

Anónimo disse...

Mas que relato delicioso, muito pormenorizado e, sinceramente, a respirar emoção!
Como tem sido a tua recuperação?
Beijinhos, Sofia, Pedro e Joana